Cerimônia começa no Palácio às 10h, sem Motta, Alcolumbre ou ministros do STF; parte externa terá militância e telãoCerimônia começa no Palácio às 10h, sem Motta, Alcolumbre ou ministros do STF; parte externa terá militância e telão

Saiba como será o ato dos 3 anos do 8 de Janeiro no Planalto

2026/01/08 17:00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) promove nesta 5ª feira (8.jan.2026) uma cerimônia para marcar os 3 anos dos ataques de 8 de Janeiro de 2023. O ato deve formalizar o veto ao projeto da dosimetria das penas, que beneficiaria condenados pelos ataques e pela tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seu entorno.

O evento começa às 10h, no Salão Nobre do Palácio do Planalto, e também terá atividade na área externa. A programação foi dividida em 2 frentes. Dentro do Palácio, haverá uma cerimônia formal com autoridades dos Três Poderes e convidados. Do lado de fora, na Via N1, movimentos sociais e militância do PT acompanharão o ato por meio de um telão.

Na véspera do evento, nesta 4ª feira (7.jan), Lula reuniu no Palácio do Planalto ministros da ala política do governo. Participaram do encontro a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), e o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos (Psol), responsável pela articulação com movimentos sociais. No 2º andar do Planalto, onde normalmente são realizados os eventos presidenciais, a estrutura com cadeiras já estava sendo montada para receber autoridades.

O presidente deve usar o ato para reforçar a defesa da democracia e da soberania nacional, sem fazer menção direta à operação militar dos Estados Unidos na Venezuela. Discurso terá caráter amplo, com foco na paz e na estabilidade institucional. A ordem é evitar atritos diplomáticos com Donald Trump (Partido Republicano).

“Esse ano pela 1ª vez os atos do 8 de janeiro ocorrem com os chefes daquele condenados pela Justiça e cumprindo penas pelos crimes que cometeram. O julgamento dos golpistas tem um significado que vai além do cumprimento da lei e da justiça no estado democrático de direito. Foi uma grande vitória da soberania nacional”, escreveu Hoffmann nas redes sociais. Ela também foi escalada para fazer a articulação política do evento. A ministra tem dito que Lula vetará o projeto da dosimetria.

ATO SEM CHEFES DOS PODERES

Lula pediu a presença de todos os seus ministros. Parte do governo, no entanto, ainda está em recesso. A ministra Simone Tebet (Planejamento) continua de férias e não comparecerá. O ministro Fernando Haddad (Fazenda) também está em recesso, sem expectativa de participação. O paulista será representado por Dario Durigan, número 2 da pasta, que já ensaia a possível posição de ministro.

“Eles querem que o 8 de Janeiro caia no esquecimento e nós queremos que a sociedade não se esqueça nunca que um dia esse país teve alguém que não soube perder a eleição e resolveu pela forma mais cretina continuar governando esse país”, afirmou Lula em reunião ministerial de 17 de dezembro. “É por isso que nós precisamos fortalecer a democracia, que dia 8 de Janeiro a gente vai ter o ato simbólico contra o 8 de Janeiro aqui em Brasília.”

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), não estarão presentes. Motta está em Brasília, mas optou por não participar do ato. Alcolumbre cumpre agenda em seu Estado natal, o Amapá.

A ausência dos principais nomes do Congresso repete o cenário de 2025, quando Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Arthur Lira (PP-AL) também não participaram da cerimônia.

Acontece que o ato do Planalto é visto como bastante político. As ausências reforçam a tensão em torno da proposta de dosimetria, que dividiu o Congresso ao flexibilizar penas aplicadas aos condenados pelos atos antidemocráticos e pela tentativa de golpe de 2023. Bolsonaro, por exemplo, terá uma redução de sua pena de 27 anos e 3 meses para cerca de 2 anos, segundo o deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP).

Já no Judiciário, o STF (Supremo Tribunal Federal) organizou uma programação paralela ao longo do dia, com exposição, documentário e debates. Até a última atualização desta reportagem, haviam confirmado presença Edson Fachin, presidente da Corte, e Gilmar Mendes, decano do tribunal. O ministro Alexandre de Moraes, relator dos processos que resultaram na condenação de envolvidos nos ataques golpistas, não participará do ato no Planalto.

ESTRUTURA E MOBILIZAÇÃO

O evento no Palácio do Planalto é organizado pela Presidência da República. Até a noite desta 4ª feira (7.jan), o governo ainda não havia divulgado a programação oficial nem a lista completa de autoridades confirmadas. Já o ato na área externa é público e integra uma mobilização nacional convocada pelo PT, com manifestações em todas as capitais do país e prioridade para Brasília.

Na capital federal, a organização está a cargo do PT Nacional, do diretório do Distrito Federal e das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo. Tem apoio da Secretaria-Geral da Presidência, responsável pela articulação com movimentos sociais. Os organizadores não informaram estimativa de público nem divulgaram a relação completa de organizações participantes.

Depois da cerimônia oficial, a expectativa é que Lula repita a tradição e desça a rampa do Palácio do Planalto para cumprimentar as pessoas que estarão do lado de fora. Se o presidente descer, os ministros presentes acompanharão. Caso contrário, o ato será encerrado após a cerimônia interna.

“O centro do ato de 8 de Janeiro é a defesa da democracia e a condenação do golpismo. É o primeiro 8/1 após a condenação e prisão dos criminosos golpistas”, afirmou Boulos.

O ministro acrescentou que temas de soberania nacional também estarão presentes. “Agora, é evidente que os temas da soberania e defesa da paz ganharam força após os ataques dos EUA e serão complementares no ato. O Brasil defende democracia com soberania nacional. E essa defesa estará presente no ato do 8/1”, disse.

Leia também:

  • Ausência de Motta e Alcolumbre cerca veto de Lula à dosimetria;
  • STF fará evento no aniversário de 3 anos dos atos de 8 de Janeiro;
  • 8 de Janeiro foi uma “advertência histórica”, diz Fachin;
  • Leia a cronologia dos desdobramentos do 8 de Janeiro.
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