O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen (Democratas, centro-direita), declarou na 3ª feira (13.jan.2026) que seu território optaria pela Dinamarca caso fosse forçado a escolher entre o país europeu e os Estados Unidos.
A declaração foi feita durante entrevista conjunta a jornalistas com a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen (Partido Social-Democrata, centro-esquerda), em Copenhague. O posicionamento se dá em um contexto de crescente pressão dos EUA para anexar o território semiautônomo dinamarquês.
Essa foi a declaração mais enfática de um representante da Groenlândia desde que o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), retomou seu plano de incorporar a ilha. A Casa Branca propôs a compra do território e não afasta o uso da força. No domingo (11.jan), Trump disse que os EUA terão controle sobre a Groenlândia “de um jeito ou de outro”.
Durante a entrevista, Nielsen disse: “Se tivermos que escolher entre os EUA e a Dinamarca, aqui e agora, escolhemos a Dinamarca”.
O primeiro-ministro classificou a situação como uma “crise geopolítica” e declarou: “Uma coisa deve estar clara para todos. A Groenlândia não quer ser propriedade dos EUA. A Groenlândia não quer ser governada pelos EUA. A Groenlândia não quer fazer parte dos EUA”.
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Trump justifica seu interesse na Groenlândia como necessário para a defesa dos EUA contra a Rússia e a China. O presidente norte-americano afirmou que o território é vital para a segurança nacional, argumentando, sem apresentar evidências, que a região está “coberta de navios russos e chineses por toda parte”.
Na semana passada, em Washington, Trump declarou que os EUA “tinham que ter propriedade” do território e que a “Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] precisa entender isso”.
Quando questionado sobre as declarações de Nielsen, Trump respondeu: “Esse é problema deles; eu discordo dele. Eu não sei quem ele é, não sei nada sobre ele. Mas isso vai ser um grande problema para ele”.
Frederiksen, primeira-ministra dinamarquesa, disse que o uso de força militar significaria o fim da aliança de defesa transatlântica, já que a Dinamarca também integra a Otan.
Durante a entrevista em Copenhague, ela criticou a “pressão completamente inaceitável” e afirmou que “há muitas indicações de que a fase mais desafiadora está por vir”.
Assista às declarações de Trump, em inglês (22s):
A disputa se concentra na Groenlândia, território escassamente povoado, localizado entre a América do Norte e o Ártico.
Além da posição geográfica estratégica, a região possui abundância de recursos naturais ainda inexplorados, como hidrocarbonetos e terras raras. O território também está localizado na rota marítima mais curta da América do Norte para a Europa.
A ilha já desempenha papel importante na defesa dos EUA. Washington tem posicionada no território a Base Espacial Pituffik, instalação mais ao norte do Exército norte-americano. A estrutura opera um centro de alerta do sistema antimísseis dos EUA.


