Um dos maiores triunfos de uma obra artística é quando o autor consegue provocar empatia até mesmo com os mais desprezíveis dos personagens. É o que acontece emUm dos maiores triunfos de uma obra artística é quando o autor consegue provocar empatia até mesmo com os mais desprezíveis dos personagens. É o que acontece em

Você vai torcer para Marty Supreme. Mesmo que ele não mereça

2026/01/18 11:10

Um dos maiores triunfos de uma obra artística é quando o autor consegue provocar empatia até mesmo com os mais desprezíveis dos personagens.

É o que acontece em Marty Supreme, filme que acompanha a trajetória do hustler Marty Mauser, um aspirante a campeão profissional de tênis de mesa que de mutreta em mutreta tenta se aproximar de seu objetivo – vencer, independente de onde ou como.

Apesar de ser interpretado pelo queridinho do momento em Hollywood, Timothée Chalamet, Mauser – que adotou o sobrenome artístico de Supreme – não é uma figura agradável: suas roupas mal ajambradas combinadas com uma monocelha mal feita e pele cheia de acne tornam a figura central da história desagradável.

Fica ainda mais difícil gostar dele no decorrer do filme, quando ao invés de tentar resolver os problemas que cria, acaba aumentado-os e envolvendo mais gente.

Porém, é aí que está o apelo de Mauser. Mesmo sendo uma figura estranha, sua lábia é irresistível e traz a expectativa de que ele finalmente deixará de tomar decisões erradas e aprender com seus erros. Mas isso não acontece, ainda bem.

Ao longo do filme, Mauser seduz uma atriz de Hollywood – interpretada por Gwyneth Paltrow – para depois roubá-la. Transforma um pedido para pegar dinheiro emprestado da loja em que trabalha em um furto a mão armada. Tenta, sem sucesso, tapear alguns jogadores de pingue-pongue em um boliche. 

Tudo que o protagonista faz é visando sua carreira no tênis de mesa. Não porque ele seja um apaixonado pelo esporte, mas porque vê nele a chance de “vencer” na vida ao se tornar um novo herói americano no pós-Segunda Guerra.

Para buscar um espaço na imprensa, faz piadas com japoneses e a bomba atômica e judeus e o Holocausto – ainda que faça a ressalva de que ele mesmo é judeu. Para bancar uma viagem a Tóquio, onde ocorreria o campeonato mundial, aceita entrar para perder num jogo comemorativo contra seu principal rival.

Na busca pelo sucesso, também abandona amigos que deixam de ser úteis para sua causa, como Wally – interpretado pelo rapper Tyler, The Creator, que faz sua estreia no cinema – e Dion Galanis (Luke Manley), seu parceiro de negócios.

O protagonista também tem que lidar com sua amante, Rachel Mizler (Odessa A’zion), grávida de um filho que Mauser demora a admitir que é seu. Em meio a isso, ainda precisa lidar com uma mãe hipocondríaca e seu ex-chefe da loja de sapatos, que também atua em ramos obscuros da economia.

Ao longo das 2h30 de filme, tudo isso ocorre sem que Mauser expresse um pingo de remorso. É na sua obstinação – ou falta de escrúpulos – que o protagonista se conecta com o público.

A grande atuação de Chamalet ajuda a provocar empatia, já que a obstinação do personagem quase valida sua sequência de desventuras. Ao final do filme, você até perdoa Mauser por tudo o que provocou. 

A sequência de decisões ruins e de erros acumulados é intensificada pela direção intensa de Josh Safdie, que faz sua estreia como diretor solo após encerrar a parceria com seu irmão, Benny.

Por sorte, o fim da dupla não significou o fim do estilo criado pelos irmãos Safdie, de planos fechados, montagem rápida e personagens questionáveis. Foi assim que conseguiram tirar a melhor atuação de Adam Sandler em Joias Brutas (2019).

Com uma direção que ajuda os atores, Chamalet foi o principal beneficiado por Safdie, e acaba de ganhar o Golden Globes de melhor ator.

Chalamet já havia sido indicado ao Oscar do ano passado por sua atuação como Bob Dylan, mas agora é favorito ao prêmio em um momento em que a Academia vem premiando atores jovens em que vê potencial – como prova a vitória de Mikey Madison no Oscar de melhor atriz no ano passado.

Se na superfície Marty Supreme é um filme sobre um atleta, no seu âmago é uma história universal sobre seguir aquilo em que se acredita, ainda que o caminho para isso seja tortuoso. Mesmo desprezível, Mauser traz o sentimento de inconformismo presente em todos nós, e quando a luz do cinema se acende, terminamos o filme torcendo por ele.

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