Pressão dos EUA na Venezuela e no Irã coloca em risco suprimento chinês de óleo, mas país se prepara há anos para mitigar fraquezaPressão dos EUA na Venezuela e no Irã coloca em risco suprimento chinês de óleo, mas país se prepara há anos para mitigar fraqueza

Para reduzir dependência do petróleo, China mira projetos inovadores

2026/01/18 17:00

A China é o maior comprador de petróleo do mundo, o que também coloca o país como o maior dependente da commodity no planeta. Segundo dados da Administração Geral de Alfândegas chinesa, a China importou 11,5 milhões de barris de petróleo por dia em 2025, 4,4% a mais ante o ano anterior.

Essa condição de dependência é uma das maiores fraquezas da China no cenário geopolítico, pois, em um confronto, um bloqueio das rotas comerciais por onde passa o petróleo chinês, pode ser fatal. Nas últimas semanas, os Estados Unidos –principal competidor da China– têm feito pressão em 2 vendedores históricos de petróleo para a China.

No início de janeiro, a Casa Branca realizou uma operação na Venezuela que prendeu o presidente venezuelano Nicolás Maduro (Psuv, esquerda). Além da prisão de Maduro, o presidente Donald Trump (Partido Republicano) declarou abertamente que os EUA miram o petróleo venezuelano e disse que espera receber cerca de 50 milhões de barris do governo venezuelano.

A China passou anos construindo uma relação com a Venezuela, na qual a contrapartida venezuelana era a venda de petróleo para os chineses. Os compromissos venezuelanos de vender petróleo para a China e a demanda dos EUA já colocam os interesses das duas grandes potências globais em choque.

Os EUA também tentam aumentar sua influência no Irã, outro vendedor de óleo bruto para a China. Os norte-americanos têm apoiado as manifestações que tentam derrubar o governo persa e um novo governo no Irã pode se tornar uma oportunidade para os EUA construírem laços com o país que também possui vastas reservas de petróleo. Nesse cenário, mais uma vez os interesses de China e EUA podem colidir.

Apesar do cenário de pressão internacional, a China é o país que mais aposta na transição energética e investe há décadas em alternativas ao petróleo. Pequim lidera diversas frentes em projetos ambiciosos, mas uma realidade em que o país não dependa da compra de petróleo estrangeiro para produção de energia e de outros materiais ainda está distante.

Mesmo assim, o país é referência em inovação e já conseguiu resultados que superaram países que pesquisam os mesmos campos há mais tempo do que os chineses. 

Leia abaixo alguns projetos chineses que podem minar a dependência do petróleo ao longo das próximas décadas:

ENERGIA DAS MARÉS

Em 31 de dezembro de 2025, a China anunciou um investimento de R$ 1,4 bilhão para a construção de uma usina capaz de produzir energia elétrica através de correntes marítimas. 

O anúncio veio depois de anos de desenvolvimento de projetos pilotos e de melhorias que tornaram esse método de produção mais barato do que o de uma usina térmica.

A projeção é que o empreendimento forneça 200 milhões de quilowatts-hora de energia renovável anualmente, atendendo à demanda anual de eletricidade de 100 mil residências. 

A estimativa é que a usina seja concluída em 2027. Esses números tornarão a China o 1º país do mundo a concretizar a comercialização em larga escala da energia produzida por correntes do mar.

A produção de energia por correntes marítimas se assemelha à geração eólica. São instaladas torres invertidas equipadas com turbinas de hélices embaixo da água, que aproveitam as correntes para girar e produzir energia elétrica.

Copyright Wenzhou International Communication Center
Na imagem, instalação de turbina para produção de energia de maré em Zhejiang

FUSÃO NUCLEAR

A fusão nuclear é considerada o “santo graal” da energia. Consiste em replicar a produção de energia solar em reatores e produzir uma energia limpa em grandes quantidades.

A China é o país mais avançado do mundo no desenvolvimento dessa tecnologia e o mais próximo de torná-la viável economicamente. O maior problema da fusão nuclear é que os reatores gastam mais energia do que produzem e não são confiáveis o suficiente para abastecer uma rede elétrica.

Acontece que um artigo científico publicado em janeiro deste ano informou que o reator chinês conhecido como “sol artificial” foi capaz de superar um limite técnico que travava o desenvolvimento dessa tecnologia.

A China já possui planos de investimentos robustos nessa área, que devem ser detalhados no próximo PQN (Plano Quinquenal Nacional), que será apresentado em março.

EÓLICA FLUTUANTE

No início de janeiro, uma empresa chinesa testou o 1º sistema de energia eólica flutuante do mundo.

O sistema se assemelha a um dirigível. Tem 60 metros de comprimento, 40 metros de largura e 40 metros de altura. Conta com turbinas eólicas. O projeto foi desenvolvido pela Sawes Energy Technology.

Em entrevista ao site Global Times, da China, o CEO da empresa, Dun Tianrui, disse que a energia gerada em uma hora será capaz de recarregar cerca de 30 carros elétricos de 0% a 100%. 

A tecnologia está em fase inicial de testes e precisa ter seus resultados comprovados.

Copyright SAWES Energy Technology
Desenhos da instalação de uma turbina eólica flutuante

PLÁSTICO COM CARVÃO

A China aprovou 36 projetos de usinas para produção de plástico a partir de carvão. As instalações utilizam uma tecnologia desenvolvida na China que substitui o petróleo pelo mineral.

Desse total, 20 usinas já estão em operação e foram construídas em províncias ricas em carvão, como Shanxi e Mongólia Interior. Ao todo, a China espera construir uma rede com capacidade de utilizar 24 milhões de toneladas de carvão para produção de plásticos.

O método chinês para produzir olefinas –uma matéria-prima essencial para dezenas de milhares de produtos químicos, incluindo plásticos, fibras sintéticas e borracha– a partir do carvão é mais barato do que o petróleo se o preço do barril ficar acima de US$ 36.

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