Ao menos 5.000 pessoas morreram em decorrência da repressão aos protestos no Irã, de acordo com a agência Reuters. As manifestações ocorrem há mais de 20 dias e pedem o fim do regime dos aiatolás, no poder desde 1979.
O número ainda não foi confirmado oficialmente pelo governo do país. A agência diz que obteve a informação com um integrante do governo iraniano. Organizações independentes de direitos humanos apresentam estimativas divergentes. A ONG norte-americana HRANA (Human Rights Activist News Agency) informou no sábado (17.jan) que contabilizou 3.308 mortos, além de outros 4.382 casos em análise. Segundo a entidade, ao menos 24.000 pessoas foram presas.
Já a organização IHR (Iran Human Rights), sediada na Noruega, estima 3.428 manifestantes mortos pelas forças de segurança. O canal oposicionista Iran International, com sede no exterior, afirmou que o total pode chegar a 12.000 mortes, citando informações de integrantes do governo e da área de segurança.
De acordo com agência Reuters, cerca de 500 dos mortos seriam integrantes das forças de segurança. O governo iraniano afirma que civis e agentes morreram em confrontos provocados pelos próprios manifestantes e acusa os Estados Unidos, Israel e grupos armados no exterior de apoiar os protestos.
Os atos começaram por causa da crise econômica e do alto custo de vida, mas evoluíram para críticas diretas ao regime. Relatos de manifestantes indicam repressão com uso de armas de fogo por policiais e militares.
No sábado (17.jan), o líder supremo do Irã, Ali Khamenei, voltou a condenar os protestos e afirmou que as autoridades têm a obrigação de “quebrar as costas dos insurgentes”. Ele responsabilizou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), pelas mortes registradas durante a repressão.
“Consideramos o presidente americano culpado pelos mortos, pelos danos e pelas acusações formuladas contra a nação iraniana”, disse Khamenei, em discurso a apoiadores durante uma festividade religiosa. Segundo ele, os protestos seriam parte de uma “conspiração americana” para enfraquecer o país.
Khamenei também reagiu às declarações de Trump, que ameaçou atacar o Irã caso o regime execute manifestantes presos.
Desde 8 de janeiro, o governo iraniano restringiu o acesso à internet no país. A ONG Netblocks informou neste domingo (18.jan) que detectou uma leve retomada da conectividade, que permanece em torno de 2% dos níveis habituais.
As dificuldades de comunicação dificultam a verificação independente dos dados sobre mortos e presos. Iranianos no exterior relatam receber informações fragmentadas de familiares, por meio de ligações curtas, devido ao custo elevado e ao temor de vigilância estatal.
O procurador de Teerã, Ali Salehi, afirmou à TV estatal que a resposta do governo aos protestos foi “firme, dissuasiva e rápida”.
Os protestos no Irã tiveram início em 28 de dezembro de 2025. São motivados pela situação econômica do país, com desvalorização acentuada da moeda, inflação a 42,2% (dados de dezembro de 2025) e aumento dos preços de bens essenciais. Comerciantes e trabalhadores foram às ruas para exigir um alívio econômico.
Mais pessoas se juntaram à manifestação. Reivindicam reformas políticas e do sistema judiciário, mais liberdade e criticam o governo do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã. O o governo persa reagiu. De acordo com informações da Hrana (Human Rights Activists News Agency), agentes usaram armas de fogo e gás lacrimogêneo para reprimir as manifestações. O acesso à internet foi cortado em 9 de janeiro.
Khamenei chama os manifestantes de “sabotadores”.
Veja imagens dos protestos no Irã (1min19s):


