O CEO da Coinbase, Brian Armstrong, afirmou que grandes bancos estariam usando a regulação como ferramenta para limitar a expansão do mercado cripto, especialmente no segmento de stablecoins. A declaração ocorre em um momento em que o Bitcoin consolida acima de US$ 90.000, com alta de 1,8% nas últimas 24h, enquanto o índice total de mercado cripto avança 1,2%. O embate reforça a narrativa de disputa estrutural entre o sistema financeiro tradicional e empresas cripto, em meio à redefinição das regras nos Estados Unidos.
Segundo dados da CoinMarketCap, o volume negociado do mercado cripto nas últimas 24h somou US$ 86 bilhões, sinalizando que o tema regulatório não reduziu o apetite ao risco no curto prazo. Para investidores brasileiros, o debate importa porque pode influenciar custos, acesso a produtos e remuneração de stablecoins usadas como dólar digital.
Armstrong argumenta que associações bancárias pressionam legisladores para restringir recompensas pagas por stablecoins, alegando riscos sistêmicos. De acordo com reportagem da CNBC, estimativas internas do setor apontam que até US$ 6,6 trilhões podem migrar de depósitos bancários tradicionais para stablecoins ao longo do tempo.
Em termos simples, stablecoins competem diretamente com contas bancárias ao oferecer liquidez em dólar 24/7 e, em alguns casos, rendimento. Isso ameaça margens dos bancos e explica a resistência institucional, apesar de alguns já manterem pilotos com a Coinbase, como mostra a CoinNews.
A tensão cresce em paralelo à mudança de postura do FDIC, que recentemente removeu barreiras para bancos oferecerem serviços cripto, segundo a Barron’s. Isso cria um cenário ambíguo: bancos ganham permissão para entrar no setor, mas tentam limitar vantagens competitivas das exchanges.
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Esse movimento dialoga com a regulação cripto nos EUA e com a busca da Coinbase por um charter bancário, que enfrenta oposição direta do lobby tradicional. Para o investidor brasileiro, o risco está em regulações mais duras reduzirem ofertas de rendimento em stablecoins usadas para proteção cambial.
Se restrições avançarem, bancos tendem a preservar depósitos e receitas, enquanto exchanges perdem atratividade em produtos de baixo risco. Por outro lado, a entrada formal dos bancos no setor pode acelerar a adoção institucional e beneficiar ativos líquidos como Bitcoin e Ethereum, que já concentram mais de 68% do market cap total.
Dados on-chain mostram que o supply de stablecoins em exchanges cresceu 3,4% em 30 dias, indicando demanda ativa por liquidez. Esse capital costuma antecipar movimentos de compra, o que ajuda a explicar por que o BTC mantém suporte técnico em US$ 90.000, com resistência imediata em US$ 101.200.
O contra-argumento dos bancos é que stablecoins precisam de regras claras para evitar riscos de crédito e corridas de liquidez. Além disso, projetos de lei como o GENIUS Act podem padronizar exigências e reduzir a vantagem competitiva das exchanges, sem necessariamente “sufocar” o setor.
Para traders, o alerta é não confundir discurso político com impacto imediato de preço. O RSI diário do Bitcoin em 54 pontos indica mercado neutro, enquanto o MACD segue positivo, mas sem forte inclinação, sinalizando consolidação no curto prazo.
No fim, o embate entre Coinbase e bancos tradicionais expõe uma disputa por controle do dólar digital. Para investidores brasileiros, acompanhar a evolução regulatória é tão importante quanto observar gráficos: ela define quais produtos existirão, quanto custarão e quem poderá oferecê-los nos próximos ciclos.
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