O Ministério da Saúde negou a compra da vacina contra a herpes-zóster por causa do custo de R$ 1,2 bilhão por ano. O valor equivale a 0,018% do Orçamento da União, de R$ 6,54 trilhões.
Outros programas e ações do governo têm valores mais altos ou equivalentes ao preço da vacina, produzida pela biofarmacêutica GSK. Só na faixa de R$ 1 bilhão, são 124 programas descritos no Siop (Sistema Integrado de Planejamento e Orçamento) programados para 2026.
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Outras ações do governo também custarão mais do que incluir o imunizante no SUS (Sistema Único de Saúde).
Uma delas é o reajuste de 8% na remuneração de funcionários do Poder Judiciário. A Lei 15.293 de 2025 foi aprovada pelo Congresso e sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em dezembro de 2025. Vale a partir de 1º de julho de 2026, mas o petista vetou o aumento para 2027 e 2028.
O gasto previsto para o aumento em 2026: R$ 1,77 bilhão.
Leia na tabela abaixo o gasto estimado para os tribunais e para o CNJ:
A herpes-zóster, popularmente conhecida como cobreiro, é uma doença causada pelo vírus varicela-zóster, que também provoca catapora. Depois da recuperação da infecção inicial, o vírus permanece “adormecido” no organismo e pode se manifestar décadas depois, com o envelhecimento ou com a queda da imunidade.
Em muitos casos, a herpes-zóster passa sem a necessidade de intervenções médicas. Porém, em alguns pacientes pode causar complicações graves, incluindo feridas na pele (que secam e criam crosta) e alterações no sistema nervoso, nos olhos e nos ouvidos. Também pode ocasionar a neuralgia pós-herpética (dor crônica intensa que persiste por meses ou anos).
Os principais sintomas são:
As partes do corpo mais atingidas pelas feridas são o tórax, o pescoço e as costas. Caso a lesão seja percebida no rosto, pode provocar problemas oftalmológicos.
Caso necessário, o tratamento é feito com o uso de antivirais.
Os principais grupos atingidos pelo cobreiro são:
Segundo informações do SIA (Sistemas de Informações Ambulatoriais) e SIH (Sistemas de Informações Hospitalares) do SUS (Sistema Único de Saúde), foram registrados 85.888 atendimentos ambulatoriais e 30.801 internações de pacientes com herpes-zóster de 2008 a 2024.
Já dados do SIM (Sistema de Informações sobre Mortalidade) mostram que, de 2007 a 2023, foram 1.567 mortes pela doença. Do total, 90% foram de pessoas com idade maior ou igual a 50 anos –dessas, 53,4% de pessoas com mais de 80 anos.
O número de idosos, grupo mais afetado, cresce a cada ano no Brasil. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que, de 2000 a 2023, a proporção de pessoas com mais de 60 anos no país saiu de 8,7% para 15,6% –ou seja, de 15,2 milhões para 33 milhões de cidadãos.
O imunizante Shingrix, da GSK, é o único disponível no Brasil contra o herpes-zóster.


